
Para os empresários, as obras vão reforçar a capacidade do Corredor do Namibe na transportação de mercadorias, o que vai garantir a preservação e durabilidade das estradas da região Sul, segundo avançou o JA Online.
A infra-estrutura, que integra o Porto Comercial, Mineiro, Linha dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM) e que liga as províncias da Huíla, Namibe, Cunene, Cuando e Cubango, é vista como essencial para reduzir custos logísticos, aumentar as exportações e atrair novos investimentos.
O presidente da Associação Agro-pecuária, Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), Paulo Gaspar, acredita que as obras de ampliação no Porto do Namibe e a aquisição de novas locomotivas e vagões pelo CFM têm como objetivo aumentar a capacidade de embarque e desembarque de mercadorias.
Para o empresário, a expectativa é que a rota se consolide como principal canal de escoamento de produtos agrícolas, pecuários e minerais para exportação.
“O Porto e Caminho-de-Ferro organizados reduzem bastante o custo das mercadorias, aumentam a competitividade e ajudam a preservar as nossas estradas. Hoje, usamos demasiados camiões para transporte. Se o grosso das mercadorias for por comboio, diminuímos os custos e melhoramos a qualidade das vias”, afirmou.
Apesar da importância estratégica do Corredor do Namibe, os empresários da província da Huíla auguram que a melhoria nas infra-estruturas, tanto do porto como no aumento das locomotivas do CFM possam contribuir para alavancar a indústria a nível da região, que actualmente vive um momento frágil.
Segundo Paulo Gaspar, apenas três ou quatro fábricas operam com pleno rendimento, enquanto a maioria enfrenta dificuldades ou encerrou as portas, em função do desinvestimento e da falta de uma orientação clara para o sector Industrial.
“A Huíla não pode viver só da Agricultura e da produção de matéria-prima. É preciso transformar localmente para gerar desenvolvimento, postos de trabalho e qualidade de vida para as populações”, defendeu.
Para reverter o cenário, a AAPCIL lidera um projecto para criação de um Parque Industrial na província. As negociações com o Governo provincial estão em curso para a cedência de terrenos e instalação das primeiras infra-estruturas.
A meta, como indicou o empresário, visa oferecer condições adequadas para atrair grandes empresas nacionais e internacionais.
Agricultura e Mineração
A Huíla dispõe de mais de dois milhões de hectares aptos para cultivo, além de ser um dos maiores pólos pecuários do país.
Na mineração, o granito extraído na Jamba é o principal produto exportado, representando uma fatia significativa do movimento no Porto do Namibe.
Paulo Gaspar alerta para a necessidade de se diversificar os produtos de exportação da província da Huíla, por meio de mecanismos que estimulem financeiramente os produtores agrícolas e pecuários, para que tenham capacidade de vender em qualquer região do país, por intermédio do Porto do Namibe.
“Temos muito mais recursos para além do granito. Precisamos explorar de forma sustentável e agregar valor localmente em vez de exportar apenas matéria-prima”, sublinhou.
Expo-Huíla fomenta negócios
A Expo-Huíla, que arranca no fim deste mês, prevê albergar 300 stands e com a participação de cerca de 500 empresas, incluindo de Portugal, Espanha, Namíbia, África do Sul, Itália e Zâmbia.
Os 21 municípios da província da Huíla vão marcar presença como garantiu o responsável pela organização, Paulo Gaspar. A organização estima a geração entre 1.500 e 2.000 empregos temporários durante o certame.
As festas da Nossa Senhora do Monte decorrem com um programa diversificado de eventos religiosos, culturais, desportivos e económicos. As celebrações incluem a Feira do Gado.