
A afirmação é do Vice-Presidente do Zimbabwe, Kembo Mohadi, recebido segunda-feira na Cidade Alta, em Luanda, pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, segundo avançou o JA Online.
O dignitário zimbabueano, que está em Angola para uma visita de quatro dias, indicou que no encontro com a homóloga Esperança da Costa foi discutido, entre outros assuntos, o Projecto KAZA (Okavango-Zambeze), de modo a ver, de forma específica, como a área transfronteiriça de conservação pode contribuir para o benefício das populações de Angola e do Zimbabwe.
“Queremos, também, trazer com isso a união dos povos que habitam na zona de conservação transfronteiriça KAZA, porque, como pessoas, devemos estar unidos e acredito que não existe nenhum desenvolvimento sem união”, ressaltou.
O governante zimbabweano falou sobre os grandes progressos alcançados pelo seu país nas áreas de conservação e turismo, e das experiências que podem e pretendem partilhar com Angola e com os restantes países vizinhos. Kembo Mohadi disse ainda que a Vice-Presidente da República reconheceu tais progressos, experiências e lições aprendidas que podem ser transferidas para Angola.
A Educação, segundo Kembo Mohadi, foi outro ponto abordado no encontro com Esperança da Costa, uma área em que o Zimbabwe está a investir fortemente, com a introdução de modelos inovadores no seu país.
“Estamos a educar os nossos estudantes para que tragam resultados objectivos e concretos. O nosso objectivo principal é formar estudantes que criem empregos, mas que não perguntem por empregos. Este é o modelo de educação que queremos atingir”, esclareceu.
O Vice-Presidente do Zimbabwe, que se faz acompanhar de uma importante delegação, indicou que o desenvolvimento tecnológico deve reforçar a educação, assim como a partilha de experiências sobre o mercado de trabalho.
Contribuição de Angola para o Museu dos Movimentos de Libertação de África
A participação de Angola no Museu dos Movimentos de Libertação de África, que está a ser criado no Zimbabwe, também foi abordado no encontro de ontem.
Kembo Mohadi disse que o Zimbabwe está a convidar todos os países, assim como Angola, que fazem parte da grande história africana, a dar as suas contribuições e demonstrações no espaço.
“Esperamos que cada um dos países possa mostrar ou dar as suas contribuições. Estamos a solicitar que venham depressa para fazer alguma construção naquele espaço, porque os outros já tomaram os seus e Angola não deve ficar atrás”, ressaltou.
Segundo dados, o Museu da Libertação de África é um projecto ambicioso que visa contar ou documentar a história da luta pela independência do continente, por meio de suas próprias vozes e perspectivas. O acervo deste museu deve incluir episódios como os massacres de Maseru e Cassinga e as batalhas do Cuito Cuanavale (Angola) e de Gorongoza (Moçambique), além de homenagear líderes e movimentos de libertação.
Relações de cooperação consideradas excelentes
Sobre o estado da cooperação entre os dois países, Kembo Mohadi disse ser excelente, tanto a nível bilateral, como do ponto de vista regional, no âmbito da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) e da União Africana.
O Vice-Presidente do Zimbabwe frisou que está no país com o propósito de reforçar as relações bilaterais. “Estou em Angola pelo facto de ser um país parte da região da SADC que sempre esteve junto do Zimbabwe durante a luta de libertação nacional, e que partilham os mesmos sentimentos. Por isso, é muito importante que, de tempos em tempos, se faça um balanço da situação actual”, disse.
Memoriais no Moxico
Kembo Mohadi anunciou a intenção do Governo do seu país em construir memoriais em homenagem aos soldados zimbabweanos mortos em campos de acolhimento, tal como já o fez na Zâmbia, Tanzânia e em Moçambique.
Amanhã, o Vice-Presidente do Zimbabwe vai efectuar visitas a alguns desses campos na província do Moxico.
“Em todos estes países que mencionei, já construímos monumentos. Falta Angola. Por isso, vamos visitar alguns desses locais e ver como podemos estabelecer memoriais nestas zonas do Moxico e Malanje”, disse.