
A revelação foi feita durante a abertura do 17º Conselho Consultivo do Ministério dos Transportes, sob o lema “Angola 50 Anos – Conectividade – Integração – Inovação para uma Economia Sustentável”, segundo avançou o JA Online.
“É importante reconhecer que a região Sul do nosso país é muito rica, muito fértil, com um potencial de desenvolvimento muito grande, e queremos sim abrir aqui uma nova fronteira de integração e conectividade, com o lançamento do concurso do Corredor Sul, portanto do Corredor do Namibe”, disse.
O projecto, adiantou, vai permitir que haja nessa zona mais ao Sul do país a mesma dinâmica provocada no Corredor do Lobito, em Benguela, que liga a Zâmbia à República Democrática do Congo.
Os primeiros passos já começaram a ser dados, com o projecto de desenvolvimento integrado da Baía de Moçâmedes, que vai permitir que se consiga tirar partido desse Corredor, procurando depois também assegurar a sua extensão para os limites fronteiriços quer da Namíbia, quer também da Zâmbia, no Leste do país.
O titular da pasta dos Transportes fez notar que o seu pelouro tem sido bem-sucedido na atracção de investimento privado.
“Com todo esse trabalho, já asseguramos a geração de receitas adicionais na ordem dos 400 milhões de dólares, bem como compromissos de investimentos firmes de mais de 1.500 milhões de dólares, sem considerar o projecto regional conjunto de extensão do Corredor do Lobito até à Zâmbia, avaliado em 4.500 milhões de dólares”, assinalou o ministro dos Transportes.
Embora todos esses dados pareçam satisfatórios para o sector, Ricardo d’Abreu disse que há ainda muito caminho por trilhar. “Por que é que não conseguimos ter um sistema de mobilidade urbana e transportes públicos sustentável e que responda às necessidades das nossas principais cidades, como essa do Lubango?”, questionou.
Em resposta, sublinhou que todas essas questões devem ser analisadas por cada um dos membros do Ministério de forma individual e colectivamente, colocando a tónica na missão, agindo com parcimónia, com espírito de responsabilidade e procurando dar o seu melhor para o interesse colectivo e não o individual.
O governante assegurou que o trabalho vai continuar, considerando que o país precisa e exige respostas atempadas e com urgência. E frisou que o que se pretende com o 17º Conselho Consultivo é garantir que saiam indicações importantes para “o futuro da nossa conectividade e integração dos transportes”.
Nova infra-estrutura
O titular dos Transportes garantiu que a nível das estruturas, “estamos não só a colocá-los ao serviço da economia, como também a concluir, ainda este ano, projectos muito importantes, como a total activação do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, o Corredor do Lobito, a conclusão da fase 1 do Terminal de Águas Profundas do Caio, em Cabinda”.
Citou igualmente a consolidação do serviço de cabotagem Norte, entre o Soyo, Cabinda e Luanda, o crescimento do investimento privado na Zona Franca da Barra do Dande e o início das obras de modernização do Terminal Multiusos do Porto de Luanda, da Unicargas.
Mobilidade de pessoas
O governador da Huíla, Nuno Mahapi, disse que a província possui um papel estratégico no contexto nacional dos transportes.
“Os Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes, com ramais que ligam o litoral ao interior do país, são dois pilares da logística nacional, contribuindo para a mobilidade de pessoas e o escoamento de produtos, sobretudo agrícolas e mineiros, das províncias do Sul de Angola.
A importância estratégica do Aeroporto da Mucanca, cuja localização privilegiada, aliada ao aumento do fluxo de turistas nacionais e internacionais à província, impõe a necessidade da sua certificação internacional, com vista à interligação nas rotas comerciais e turísticas da região da SADC e do mundo.