Projecto Horizonte das Artes aposta no fortalecimento da cultura nacional

A aposta na formação de professores e artistas, em vários pontos do país, está na base do projecto “Horizonte das Artes”, uma iniciativa da Associação Vana Kia Nsambo, que vai arrancar no próximo ano e tem como primeira estação o município do Lobito, província de Benguela.

A informação foi prestada por Francisco João “Frank Yehokhanan”, director Cultural e coordenador do projecto, que começou por revelar que o Horizonte das Artes se apresenta não como um simples programa cultural, mas como uma visão integrada para o futuro do país, com uma primeira fase nos próximos cinco anos, segundo avançou o JA Online.

O coordenador do projecto justificou a escolha de Lobito por duas razões: afectiva, porque é a sua terra natal, que o moldou como homem, e o fluxo de turistas no Corredor do Lobito. “O futuro de Angola não se constrói apenas com portos, estradas e ferrovias, constrói-se também com valores, criatividade e inclusão social”, acrescentou. 

“O Horizonte das Artes propõe uma intervenção estruturante no sistema educativo e social, numa aposta nas artes e potencial cultural desta região nesta fase e depois noutras zonas do país”, afirmou Francisco João.

A fonte tem a convicção de que a arte é um poderoso motor de educação, inclusão e regeneração social. Por isto, justifica o plano que tem de formar uma nova geração de professores com ferramentas pedagógicas inovadoras, levar currículos artísticos a 15 escolas e a dois estabelecimentos penitenciários, bem como criar pólos culturais que sirvam de farol criativo para as comunidades.

Francisco João pretende usar a arte para reduzir a evasão escolar e a reincidência criminal, enquanto se lançam 20 artistas emergentes no circuito nacional e internacional. O coordenador defende a cultura como uma forte infra-estrutura humana.

O projecto propõe formar professores, criar pólos culturais, levar currículos artísticos a escolas e estabelecimentos penitenciários e abrir espaço para novos artistas. Mas o projecto vai além, pois tenciona “introduzir a criação de uma indústria audiovisual, com produção de filmes, música e conteúdos multimédia”, explicou o produtor.

Segundo Francisco João, com este projecto o país pode não apenas formar cidadãos criativos, mas também consolidar um mercado cultural competitivo, capaz de gerar emprego, exportar talento e projectar a identidade nacional para o mundo.

Ao justificar o segundo motivo da escolha pela cidade portuária, Francisco João começou por referir que este é o momento exacto, pelo qual o desenvolvimento do Corredor do Lobito cria uma janela de oportunidade única.

“Enquanto o país investe em infra-estrutura física e capacidade logística, é imperativo investir também no seu capital humano e na sua alma cultural. Uma Nação que cresce economicamente, mas que negligencia a sua dimensão criativa e social, constrói-se sobre alicerces frágeis. O Horizonte das Artes oferece a ponte necessária entre o progresso material e o desenvolvimento integral do cidadão”, defendeu o representante da Associação Vana Kia Nsambo.

Para manter a solidez do projecto tem como parceiros a Universidade Lusíada de Benguela, para conferir o rigor académico e o enquadramento pedagógico. “Também temos a Casa da Música de Benguela para garantir a excelência artística e a orientação técnica e o Grupo Delm aporta competência logística e capacidade de implementação prática”, para defender a convergência de forças entre a sociedade civil, a academia e o sector Privado.

Apesar destes parceiros da Associação Vana Kia Nsambo, está aberto a mais contribuições de empresas, fundações, investidores sociais e indivíduos comprometidos com o futuro de Angola. O desafio está lançado e a possibilidade de sermos espectadores do crescimento ou actores na construção de um legado mais profundo e duradouro. 

“O apelo é dirigido a todos aqueles que compreendem que o verdadeiro desenvolvimento é multidimensional. Investir no Horizonte das Artes é investir na redução das desigualdades, na promoção da paz social, na descoberta de talentos e na afirmação da identidade cultural angolana no mundo”.

O projecto Horizonte das Artes estava previsto para arrancar no fim deste ano, segundo o coordenador depois de Lobito, mais três municípios de Benguela vão receber a iniciativa e de seguida outras províncias, sempre com a intenção de provar que o desenvolvimento cultural pode caminhar lado a lado com o progresso económico.  

A nossa fonte reiterou que este projecto vem na sequência de outras iniciativas da Associação Vana Kia Nsambo Angola 4.0, a fim de preparar jovens, apoio educacional e capacitar crianças com bolsas de estudo.

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