
A informação foi disponibilizada por Herberto Xa-Kimona Agostinho do Prova d`Art Miramar ao fazer um balanço das acções realizadas em 2025. O gestor reconheceu que ao longo do período em referência, o espaço afirmou-se como um importante pólo de promoção artística, cultural e comunitária, através da realização de um vasto conjunto de eventos multidisciplinares, segundo avançou o JA Online.
“Foram realizadas 32 edições do projecto “Domingos à Nossa Maneira”, com a participação de diversas bandas e conjuntos nacionais, nomeadamente Conjunto Dizu Dietu, Conjunto Os Kiezos, Banda Maravilha, Banda Rumba Congolesa, Os Kongas, Banda Telestar (Cabinda), Banda Nova Geração (Huambo), Orquestra Mizangala DT, Banda Roxane, Banda Weya, Banda Duia, entre outros nomes da nossa música”, partilhou a nossa fonte.
Destacou a parceria com o INAPEM, que resultou na realização de três feiras que foram promovidas para apostar no reforço do empreendedorismo e a economia criativa. Não deixou de lado, entre as conquistas, a colaboração com a Rádio Nacional de Angola, “realizaram-se quatro edições do projecto “Caldo do Poeira “salientou o produtor cultural.
No âmbito das homenagens culturais, em parceria com as Edições Novembro, o Prova d’Art Miramar homenageou Bangão, Amadeu Amorim, Teta Lando e Massano Júnior, a título póstumo e em vida. Realizou-se igualmente, a quarta edição do Festival das Bandas, com dois dias de exibição, reunindo oito bandas, distribuídas em dois palcos, consolidando o evento como uma plataforma de intercâmbio artístico.
A realização do concerto “Batida da Alma” com Omar Gross integrado no projecto “Gerações em Harmonia”, marcou o fim das actividade. Em parceria com a Aliança Francesa, realizaram-se dois concertos musicais e uma edição do Festival Angojazz. “Destaca-se, ainda, o lançamento da obra discográfica do músico Carlos Lamartine, que acolhemos no nosso espaço”, realçou Xa-Kimona.
O produtor cultural falou da diversidade artística, “no domínio do humor, realizamos dois shows de grande impacto, com os fenómenos das redes sociais Tia Beltrana e Tia Bibiana. No sector Audiovisual, foram exibidos 30 filmes no âmbito do projecto Cine D’art, em parceria com a produtora Criações Imediatas”
Na área do Teatro, realizaram-se seis peças no projecto Teatro aos Sábados, com destaque para a peça “O Casamento”, que esteve em cartaz, e duas edições de torneio de xadrez para crianças.
Ao falar das perspectivas para este ano, garantiu que pretende expandir e qualificar as suas actividades, reforçando parcerias, melhorando infra-estruturas, promovendo novos talentos e consolidando-se como um espaço de referência cultural e artística.
Em 2025, falar do desenvolvimento da cultura angolana, com especial destaque para a música nacional, implica reconhecer contributos concretos e mensuráveis.
Kiezos no Bye-Bye 2025 no Domingos à Nossa Maneira
O histórico conjunto do Marçal Os Kiezos foi a última grande atracção do espaço cultural Prova d`Art Miramar com uma performance marcante no projecto Domingos à Nossa Maneira, momento partilhado com os músicos Suzanito, Rui Morais e Calabeto.
Hilbebrando Cunha, Gegé Maria, Tony Samba, Zé Manico, Habana Mayor, Realtino, Reginaldo Bass e Sabino Batera voltaram a levar a mística ao espaço onde levantaram “poeira” a 20 de Julho, concerto que foi enquadrado nas comemorações dos 60 anos do Conjunto Kiezos e no Festival das Bandas.
No reportório deslizaram sucessos “Milhorró”, “Obrigado Meu Amigo”, “Xexemãe,”MuaPango”,”Maximbombo”, “Comboio” e “Princesa Rita” canções que pertencem à memória colectiva dos amantes da música angolana.
A presença dos Kiezos reforça o compromisso do espaço Prova d`Art Miramar na valorização da música e cultura nacional, assim como proporcionar palco a artistas de diferentes estilos e gerações
Nesta edição, Suzanito emocionou ao interpretar temas de Artur Nunes e Nick, Suzanito tem colaborado com os Kiezos. Já Rui Morais é um cantor veterano, um pouco afastado dos palcos, recordou músicas que o notabilizaram nos anos 70. Calabeto foi a surpresa para animar a parte final.
Plataforma dinâmica na valorização da arte
O jornalista Reginaldo Silva ao fazer uma análise do ano, durante o programa Conversa à Sombra da Mulemba, emitido na Rádio Marginal, destacou o “Domingos à Nossa Maneira” como uma das grandes revelações do show business angolano em 2025, sublinhando o papel central do Espaço Cultural Prova d’Art Miramar, enquanto plataforma viva de produção, circulação e valorização da cultura nacional.
Reginaldo Silva, uma presença regular no espaço, destaca a extraordinária intervenção de Herberto Xá-kimona Agostinho, Director Geral do Prova d’Art Miramar, “ao longo do ano, se afirmou não apenas como empreendedor, mas também como um verdadeiro mecenas cultural”. Ao terminar a sua análise desejou que, em 2026, o projecto se mantenha vivo e actuante, o que em muito contribuirá para a consolidação da nossa própria angolanidade.
Dionisio Rocha e Massano Júnior deram, também, nota positiva ao espaço. “Eu agora tenho uma alternativa para sair ao domingo e um espaço para rever amigos”, reconheceu Dionísio Rocha. Por outro lado, Massano Júnior, um dos homenageados do espaço, encorajou os mentores do projecto a continuarem e deseja que continuem com a mesma dinâmica. Quero agradecer a forma como tenho sido tratado e como procederam ao longo da homenagem à minha pessoa”.
O nacionalista e músico Amadeu Amorim, também, deu nota positiva ao espaço e reconheceu que as boas indicações que recebeu dos amigos foram determinantes para o lançamento do livro biográfico.
Soky dya Nzenze destacou os momentos de debates que acontecem no espaço que são importantes para os estudiosos da música e cultura angolana. Deu exemplo das tertúlias em torno das obras de Teta Lando, Massano Júnior, Amadeu Amorim e as edições do Caldo do Poeira
O Prova d`Art Miramar tem também se destacado como um ponto de reencontro de familias, amigo, turistas e colegas, com as presenças regulares de antigas estrelas do futebol como Daniel Ndunguidi, Santo António, Vieira Dias, dentre outros que brilharam nos relvados e pelado.
O jornalista da Rádio Nacional de Angola Isaías Afonso, que tem tido presenças regulares no espaço, reconhece que o mesmo surge com uma marca diferente de fazer cultura e juntar gente com fome de cultura.
“As pessoas sentem que é um movimento distinto que merece um espaço na agenda cultural da cidade. Particularmente, destaco o facto do seu promotor e amigos do projectos estarem abertos a ideias para enriquecer as sessões culturais que juntam figuras interessantes da vida em geral, afirmou uma das vozes do Caldo do Poeira.
Para o jornalista, tornou-se um espaço de lazer que cativa as pessoas pelo contacto directo com a natureza e uma vista panorâmica das zonas adjacentes e que estão ligadas à vida cultural antiga de Luanda, o Cine Miramar , as barrocas do Miramar e a proximidade com o emblemático Bairro Operário. Isaías Afonso afirmou que o cartaz cultural, muitas vezes, surge da auscultação aos frequentadores do local, dando a dimensão de um espaço aberto e inclusivo.
O regresso do “Caldo do Poeira”
O jornalista não deixou de falar do “Caldo do Poeira”, projecto que ressurge para atender à necessidade dos artistas e os conjuntos terem um espaço de exibição inclusivo e aberto para celebrar a musica .
“É também um contributo singular para ajudar a elevar o nosso semba a monumento imaterial e cultural da humanidade. Faz sentido que seja também um movimento impulsionador do fomento do turismo cultural. A RNA podia, sim, fazer muito com o devido apoio financeiro do estado”.
O projecto precisa de sustentação, tendo em conta o seu âmbito que é nacional, envolvendo a inclusão de outros figuras da musica e estilos musicais pelo país adentro. A experiência da primeira temporada mostrou que é possível, por esse movimento, dar vida e valorizar os artistas do país, bem como levar opções de lazer para um público de forma massiva para Angola.