
Os preços do petróleo ampliaram os ganhos com o Brent caminhando para uma alta mensal recorde, após os houthis iemenitas lançarem seus primeiros ataques contra Israel, ampliando a guerra entre EUA e Israel contra o Irã, avançou o portal zawya.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 3,20, ou 2,8%, para US$ 115,77 o barril às 09h33 GMT, após fecharem em alta de 4,2% na sexta-feira. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$ 1,87, ou 1,9%, para US$ 101,51, após um ganho de 5,5% na sessão anterior.
“O mercado praticamente descartou a possibilidade de um fim negociado para a guerra, apesar das alegações de Trump sobre conversas ‘directas e indiretas’ em andamento com o Irã, e está se preparando para uma forte escalada nas hostilidades militares”, disse Vandana Hari, da empresa de análise do mercado de petróleo Vanda Insights.
Com a chegada de mais tropas americanas ao Oriente Médio, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos e o Irã têm se reunido “direta e indiretamente” e que os novos líderes iranianos têm sido “muito razoáveis”.
No entanto, os militares israelenses afirmaram na segunda-feira que estavam atacando a infraestrutura do governo iraniano em toda Teerã.
A alta dos preços do petróleo foi atenuada apenas temporariamente pela declaração de Trump de que suspenderia os ataques à rede elétrica do Irã até 6 de abril.
MERCADO BUSCA SINAIS CONCRETOS DE DESESCALADA
“O prazo estendido de Trump para 6 de abril – data em que os EUA poderiam potencialmente retomar os ataques à infraestrutura energética iraniana – não teve nenhum efeito tranquilizador. O mercado agora exige sinais concretos de desescalada, não apenas retórica”, afirmou a SEB Research em nota.
O Brent subiu cerca de 60% neste mês, o maior salto mensal desde 1988, superando os ganhos obtidos durante a Guerra do Golfo de 1990. O petróleo bruto dos EUA, por sua vez, subiu 52%, registrando seu maior ganho mensal desde maio de 2020.
Os enormes ganhos foram impulsionados pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma via de passagem para um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, espalhou-se pelo Oriente Médio, aumentando a preocupação com as rotas marítimas ao redor da Península Arábica e do Mar Vermelho.
O exército israelense afirmou que o Irã lançou várias ondas de mísseis contra Israel e que um ataque também foi lançado do Iêmen, sendo este apenas o segundo desde o início da guerra.
“O conflito não está mais concentrado no Golfo Pérsico e ao redor do Estreito de Ormuz, mas agora se estende ao Mar Vermelho e ao Bab el-Mandeb — um dos pontos de estrangulamento mais cruciais do mundo para o fluxo de petróleo bruto e derivados”, disseram analistas do JP Morgan, liderados por Natasha Kaneva, em nota.
As exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita redirecionadas do Estreito de Ormuz para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, atingiram 4,658 milhões de barris por dia na semana passada, segundo dados da empresa de análise Kpler.
Analistas do JP Morgan afirmaram que, caso as exportações de Yanbu fossem interrompidas, o petróleo saudita precisaria ser redirecionado para o oleoduto Suez-Mediterrâneo (SUMED) do Egito, que leva ao Mediterrâneo.
Os ataques na região se intensificaram durante o fim de semana e danificaram o terminal de Salalah, em Omã, apesar dos esforços para iniciar negociações de cessar-fogo.
O Irã afirma estar preparado para um ataque terrestre dos EUA.
O Irã afirmou estar pronto para responder a um ataque terrestre dos EUA, acusando Washington no domingo de preparar um ataque terrestre mesmo enquanto buscava negociações.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que discutiram possíveis maneiras de pôr fim de forma rápida e definitiva à guerra na região, bem como potenciais negociações entre os EUA e o Irã em Islamabad. Em outra frente, a refinaria e petroquímica vietnamita Binh Son anunciou na segunda-feira que está em negociações com parceiros russos para a compra de petróleo bruto. A empresa também afirmou que pretende comprar mais petróleo bruto da África, dos EUA e do Sudeste Asiático.
A União Europeia não enfrenta escassez imediata de abastecimento, mas há um aperto nos mercados de diesel e querosene de aviação, conforme mostrou um documento informativo da UE divulgado na segunda-feira.