
A ministra falava na abertura do seminário de mitigação e adaptação às alterações climáticas, que decorre de 25 a 26 na cidade de Ondjiva, numa iniciativa do sector do Ambiente e da União Europeia, segundo avançou o portal Angola Press.
Na ocasião, Ana Paula de Carvalho destacou a produção de energias renováveis, para a melhoria da eficiência energética e a execução do projecto do canal do Cafu, como infra-estruturas estratégicas para o combate à seca e o reforço da segurança hídrica das populações.
Segundo a governante, os ganhos do canal do Cafu já são visíveis, sendo que actualmente beneficia mais de 250 mil pessoas e 240 mil cabeças de gado.
Ana Paula de Carvalho disse que o Executivo tem vindo a adoptar um conjunto de políticas estratégicas, com vista a mitigar e adaptar os efeitos das alterações climáticas, bem como reforçar a capacidade de resiliência das comunidades locais.
De acordo com a ministra, a realidade climática em Angola é marcada por uma elevada vulnerabilidade, evidenciada pelos fenómenos como seca prolongada, cheias recorrentes, erosão costeira, perda da biodiversidade e processos de desertificação em diversas regiões.
Estas ocorrências, fundamentou, tem impacto directo sobre os ecossistemas e sobretudo nos meios de subsistência das populações rurais, agravando a sua condição de vulnerabilidade, o que exige respostas cada vez mais estruturantes e eficazes.
Desta feita, ressaltou os planos internacionais dos quais Angola é signatária, como a Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, o protocolo do Quioto e o Acordo de Paris, cujos processos reafirmam o compromisso com a agenda climática global.
Destacou a estratégia para alterações climáticas e o plano de adaptação, cujos instrumentos são fundamentais para integração de questões climáticas e das políticas públicas.
A ministra indicou ainda o reforço da capacidade de adaptação para suportar os riscos de desastre na bacia hidrográfica do Cuvelai, cujo projecto permitiu a instalação de um sistema de alerta rápido, lançado a 26 de Janeiro do corrente ano.
Afirmou que a conferência visa promover o intercâmbio de experiências e boas práticas entre Angola e países da União Europeia , com objectivo de reforçar a implementação das estratégias eficazes para mitigação e adaptação das alterações climáticas.
“O seminário constitui um espaço privilegiado de diálogo construtivo e o reforço das parcerias necessárias para enfrentar de forma eficaz os desafios impostos pelas alterações climática”, sublinhou.
Indicou que a escolha do Cunene para acolher o evento, deve-se ao facto de ser a mais afectada pelos impactos das alterações climáticas, cujos desafios exigem uma abordagem integrada baseada na cooperação internacional, no conhecimento científico e no compromisso colectivo.
União Europeia
A chefe de Cooperação da Delegação da União Europeia em Angola, Mateja Peternelj, disse que a iniciativa consta do programa de diálogo entre UE /Angola, baseado em objectivos comuns, cuja colaboração visa criar a sustentabilidade do centro das políticas de desenvolvimento sustentável.
Segundo a responsável, o seminário é essencial, por ser um espaço de diálogo entre decisores políticos, especialistas, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento.
Mateja Peternelj disse que o foco de iniciativas estruturantes demonstra como é possível promover o desenvolvimento económico através da conectividade segura e resiliente.
Neste contexto, disse que as respostas devem ser integradas e baseadas em evidências científicas sustentadas por políticas públicas eficazes e sistema de monitorização que permita antecipar riscos.
Lembrou que a UE desenvolveu uma série de programas de apoio às várias acções regionais, demonstrando que a informação climática e os dados de observação de terra podem apoiar na gestão das secas, planeamento agrícola e minimizar os efeitos das crises naturais.
“As alterações climáticas hoje são uma realidade e com impacto direito sobre os territórios, economia e as populações mais vulneráveis, sendo as províncias do sul de Angola as mais afectadas, com problemas de acesso a água, meio de subsistência e segurança alimentar”, salientou.
Governo do Cunene
Por seu turno, a governadora da província do Cunene, Gerdina Didalelwa, enalteceu a promoção do seminário nesta região, sublinhando que a temática em abordagem afecta grande parte da população local.
Apontou as práticas culturais do abate indiscriminado de árvores, as queimadas descontroladas, produção de carvão vegetal e a caça furtiva, como aspectos culturais que têm afectado o ambiente.
“A educação e consciencialização ambiental constituem elementos essenciais para promoção de comportamentos sustentáveis”, salientou.
O encontro, que conta com a participação de membros do governo, organizações internacionais, académicos, sector privado e sociedade civil, analisa em quatro painéis, temas ligados a acção climática e desenvolvimento sustentável, o plano de combate a seca no sul de Angola e o projecto de operacionalização do observatório climático.
O ambiente, o estado do clima e da biodiversidade, água, biodiversidade e resiliência territorial, agricultura, agro- ecológico e segurança alimentar, o projecto de reflorestamento e o acesso aos fundos, assim como a cooperação internacional figuram igualmente dos temas.