A OPEP mantém a previsão de uma procura robusta por petróleo e não prevê um pico de consumo até 2050.

FOTO DE ARQUIVO: Uma maquete de uma bomba de petróleo é vista em frente ao logotipo da OPEP nesta ilustração tirada em 9 de janeiro de 2026. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo

A OPEP manteve sua previsão de forte crescimento da demanda global de petróleo nos próximos quatro anos e elevou ligeiramente sua perspectiva de longo prazo, citando uma mudança mundial em direção a políticas mais favoráveis ​​ao uso do petróleo e afirmando que não há indícios de que a demanda vá atingir seu pico, segundo avançou o portal zawya.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), composta por 11 membros, depende do petróleo para grande parte da receita governamental, e suas expectativas em relação à demanda são maiores do que as de outras entidades do sector, como a Agência Internacional de Energia.

A demanda mundial aumentará para 113,3 milhões de barris por dia em 2030, ante 105,1 milhões de barris por dia em 2025, afirmou a OPEP em sua Perspectiva Mundial do Petróleo para 2026, publicada em seu site.

O número para 2025 sofreu poucas alterações, e a previsão para 2030 permanece inalterada em relação ao relatório do ano passado. 

O cenário da política energética mudou, afirma a OPEP.

O relatório surge num momento em que a OPEP enfrenta desafios sem precedentes em 2026, uma vez que a guerra com o Irão obrigou os exportadores do Golfo a fazerem cortes drásticos nas exportações, enquanto os Emirados Árabes Unidos, um país membro da OPEP há quase 60 anos, chocaram os outros membros ao abandonarem o grupo.

Mudanças nas políticas governamentais nos EUA, na Europa e em outros lugares, juntamente com o crescimento de longo prazo na Índia, no Oriente Médio, na África e na América Latina, impulsionarão a expansão da demanda, afirmou a OPEP, apesar do “progresso impressionante” da China em sua transição para energias renováveis. “O foco crescente na segurança energética e na acessibilidade da energia transformou o cenário das políticas energéticas em todo o mundo”, declarou a OPEP no relatório.

“Isso se reflete em ajustes e reversões de políticas, que devem dar suporte à demanda de petróleo no médio e longo prazo.”

A OPEP citou, por exemplo, uma adoção de veículos elétricos mais lenta do que o esperado na Europa e mudanças nas políticas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que afetaram o apoio às energias renováveis, aos veículos elétricos e aos padrões de eficiência de combustível.

SEM PICO DE DEMANDA NO HORIZONTE

A longo prazo, a OPEP prevê que a demanda mundial de petróleo atingirá 124 milhões de barris por dia até 2050, acima dos 122,9 milhões de barris por dia esperados no relatório do ano passado, e reiterou sua visão de que não há um pico de demanda no horizonte.

Em contraste, a AIE afirmou em novembro que a demanda por petróleo atingirá 113 milhões de barris por dia em meados do século. Embora a previsão da AIE para 2050 seja muito menor do que a da OPEP, a agência havia previsto anteriormente que a demanda atingiria o pico em 2029. Os EUA se tornaram o maior exportador de petróleo do mundo em 2026, de acordo com dados de rastreamento de navios, refletindo o aumento em sua produção impulsionado pelo petróleo de xisto e as interrupções nas exportações sauditas e russas devido a guerras e sanções.

A OPEP, no entanto, afirmou no relatório que a produção americana de petróleo bruto de xisto, outro termo para petróleo bruto de xisto, provavelmente atingiu o pico em 2025, com pouco mais de 9 milhões de barris por dia, e prevê um crescimento modesto da oferta total de líquidos dos EUA de 400.000 barris por dia até 2030 e um platô de produção a partir de então.

O relatório prevê que a produção de países fora da OPEP+ – o grupo mais amplo que inclui os membros da OPEP, mais a Rússia e outros aliados – atingirá o pico no início da década de 2030.

A OPEP tem defendido mais investimentos na indústria petrolífera e afirmou que o setor precisa de US$ 17,7 triliões até 2050, em comparação com os US$ 18,2 triliões estimados no ano passado.

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