
A decisão da Saudi Aramco de baixar o preço do seu petróleo bruto para as refinarias asiáticas, nos carregamentos de dezembro, foi vista como uma forma de reforçar a sua presença no mercado, numa altura em que há receios de um excesso de oferta mundial, segundo avançou o portal zawya.
No entanto, a redução ficou no limite mais baixo das previsões feitas pelas refinarias asiáticas. A medida parece visar apenas manter o petróleo saudita suficientemente competitivo em relação a outros tipos, dando margem ao maior exportador mundial caso a China e a Índia recuem na compra do petróleo russo devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.
Na semana passada, a Aramco anunciou uma redução do seu preço oficial de venda (OSP) para o Arab Light, a principal referência para os clientes asiáticos. O prémio passou para 1 dólar por barril acima da média Omã/Dubai para carregamentos de dezembro.
Isto representa uma queda de 1,20 dólar por barril em comparação com o prémio de 2,20 dólares aplicado nos carregamentos de novembro, colocando o OSP no nível mais baixo em quase um ano.
Mesmo assim, a redução já era esperada pelas refinarias asiáticas, que compram cerca de 80% das exportações marítimas da Aramco.
Antes do anúncio, refinarias consultadas pela Reuters estimavam que o corte do OSP do Arab Light ficaria entre 1,20 e 1,50 dólar por barril. Ou seja, o ajuste real ficou abaixo do previsto, contrariando a ideia de que a Aramco estaria a baixar preços de forma agressiva para ganhar quota de mercado.
Na prática, a empresa segue a tendência habitual de ajustar os preços conforme o comportamento do mercado.
O prémio do Dubai à vista sobre os swaps tem caído nas últimas semanas, com média de 1,12 dólar por barril este mês, contra 1,73 dólares em setembro.
O Brent, referência global, também tem registado queda em relação ao Dubai, chegando a um raro desconto na semana passada.
O desconto do Brent em relação ao Dubai subiu para 26 cêntimos por barril na segunda-feira, o maior em mais de cinco anos, e bem abaixo do prémio de 3,77 dólares registado em junho.
Isto faz com que os petróleos cotados com base no Brent fiquem relativamente mais baratos do que os cotados com base no Dubai. Entre eles estão petróleos da África Ocidental, América Latina e até dos Estados Unidos, já que o WTI Midland entra no índice Brent.
Com o corte no OSP, a Aramco procura garantir que o seu petróleo continue competitivo quando as refinarias asiáticas estiverem a decidir as compras para dezembro e janeiro.
Incerteza em relação ao petróleo russo
A estratégia também deixa a Aramco bem posicionada caso haja uma redução no fornecimento de petróleo russo, afetado por novas sanções impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Algumas refinarias na China e na Índia, principais compradores do petróleo russo, já procuram alternativas.
Na China, maior importador mundial, a Kpler estima que as importações marítimas da Rússia caiam para cerca de 926 mil barris por dia em novembro, contra 1,45 milhão em outubro.
Ao mesmo tempo, as compras chinesas de petróleo saudita devem subir para 1,78 milhão de barris por dia, acima dos 1,20 milhão de outubro.
Na Índia, segundo maior importador de petróleo da Ásia, as compras de petróleo saudita devem cair para 589 mil barris por dia em novembro, abaixo dos 691 mil registados em outubro.
Apesar disso, a Índia continua a intensificar as compras de petróleo russo, que devem chegar a 2,26 milhões de barris por dia este mês, contra 1,70 milhão em outubro. Mas pode haver uma queda a partir de dezembro, caso as refinarias indianas sigam o compromisso anunciado de reduzir as compras.
Com tantas incertezas sobre quanto petróleo russo China e Índia comprarão nos próximos meses, a Aramco parece ter-se preparado para preencher possíveis falhas no mercado, oferecendo volumes adicionais a preços competitivos.