
O silício é o segundo elemento mais abundante na crosta terrestre, encontrado na forma de silicatos em rochas, minerais (como quartzo e feldspato) e solos. O nome, por sua vez, deriva do latim “silex” ou “silicis”, que significa sílex, uma rocha de quartzo, segundo avançou o portal Angola Press.
Ele é usado tanto na indústria electrónica (principalmente na fabricação de semicondutores) quanto na saúde humana, onde é essencial para a formação de tecidos como pele, cabelo, unhas e ossos. É o principal componente do vidro, cimento, cerâmica e silicones, além de ser usado em aplicações como as células solares e a sílica gel.
O gerente da fábrica, Adriano Mateus, disse que a extracção de silício é feita à base de temperaturas muito altas e o forno chega a atingir dois mil graus célsius, e a energia da rede do município não satisfaz as necessidades da unidade fabril.
Para aumentar a combustão no forno, tem sido usado a mistura do carvão, lenha e o coque de petróleo.
A finalidade da produção, segundo ele, é vender às industrias metalúrgicas, aeronáuticas e de automóveis. Estas, por sua vez, adquirem o produto para a produção de baterias, chips para telefones e outros equipamentos.
“Vendemos apenas ao exterior porque em Angola ainda não há fábricas que usam esse material como matéria-prima”, explicou.
Questionado sobre a aquisição das matérias-primas para a produção do silício, informou que compram principalmente da China e dos Estados Unidos.
O responsável explicou que há empresas que fornecem o material mediante um contrato, principalmente o quartzo, oriundo da região do Biópio.
“O carvão recebemos das cooperativas legalizadas junto do Instituto de Desenvolvimento Florestal e depois fazemos um contrato de parceria em relação ao coque de petróleo, que é fornecido a partir dos Estados Unidos, enquanto que o electrodo vem da China”, esclareceu.
“A área comercial da fábrica encontra-se em Luanda, por isso os produtos são acumulados aqui no Biópio e só enviamos quanto atingimos pelo menos cinco mil toneladas, mensalmente, enquanto que a outra parte fica no stock”, explicou.
O gerente informou, por outro lado, que a fábrica está num período experimental e só vai produzir de acordo com a sua capacidade se houver aumento no fornecimento de energia.
“Este facto está a obrigar-nos a ponderar se vale a pena continuar aqui no Biópio ou encontrar outros locais para poder criar investimentos da mesma dimensão”, afirmou.
Adriano Mateus contou que a produção tem sido em ciclos: quando a temperatura é muito baixa em relação a capacidade instalada, o silício fica grudado nos recipientes e de tempo em tempo há necessidade de parar a máquina para se fazer limpeza. “Anualmente podemos ter dois a três ciclos de produção”, acrescentou.
A AngoSilício conta com oitenta e quatro trabalhadores nacionais e vinte e quatro expatriados de origem chinesa.
Quanto à responsabilidade social para o desenvolvimento do município, disse que a sua direcção solicitou um orçamento à Administração, na altura em que era comuna, para a reabilitação da rede de distribuição de água que se encontra em estado obsoleto.
Até à data aguarda pela resposta da nova Administração municipal para levar o projecto avante.
A AngoSilício, localizada a poucos quilómetros de uma fontes de energia, hídrica, térmica e fotovoltaica, começou a operar em 2023 e aguarda pela reabilitação da rede eléctrica local, que se encontra obsoleta.