Ivanhoe mira mercado norte-americano para o zinco do Congo no âmbito do Projecto Vault

A Ivanhoe Mines está em negociações avançadas com a mineradora estatal congolesa Gecamines e a empresa suíça de comércio de commodities Mercuria para canalizar concentrado rico em zinco de sua gigantesca mina de Kipushi para os Estados Unidos, no âmbito do novo programa de estocagem estratégica de Washington, o Projecto Vault, informou a empresa.

O acordo faz parte de um pacto mais amplo entre os EUA e a República Democrática do Congo sobre minerais, à medida que Washington intensifica sua disputa com a China pelo controle dos vastos depósitos africanos, segundo avançou o portal zawya.

O Projecto Vault — um programa de segurança da cadeia de suprimentos de US$ 12 mil milhões lançado na segunda-feira pelos EUA e apoiado por US$ 1,67 mil milhão em capital privado e um empréstimo de US$ 10 mil milhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA — visa garantir o fornecimento de longo prazo de metais estratégicos em todo o mundo.

É um pilar fundamental da iniciativa do presidente Donald Trump para reduzir a dependência da China, garantindo o acesso ocidental a insumos vitais para defesa, energia limpa e manufatura avançada.

MINERAIS CRÍTICOS PARA APLICAÇÕES TECNOLÓGICAS

A mina de zinco Kipushi da Ivanhoe tem previsão de produzir entre 240.000 e 290.000 toneladas métricas de concentrado este ano, incluindo quantidades significativas de germânio e gálio — minerais que os EUA consideram essenciais para semicondutores, defesa e aplicações de tecnologia limpa.

Um acordo com a Ivanhoe prevê que a Mercuria transfira seu contrato de fornecimento actual de concentrado de Kipushi para o braço comercial da Gecamines, além de comercializar volumes adicionais esperados com o aumento da produção da mina no final de 2025, informou a Ivanhoe na segunda-feira.

Segundo Ivanhoe, a Gecamines poderia eventualmente processar até metade da produção da Kipushi, incluindo os embarques para os Estados Unidos.

A Gécamines confirmou a parceria em um comunicado separado na terça-feira, afirmando que ela foi respaldada por um acordo firmado com a Mercuria em dezembro de 2025, que prevê financiamento e logística para ativar seus direitos de fornecimento.

Segundo a empresa, o acordo é o primeiro passo de um plano para expandir o processamento de zinco, cobre, germânio e gálio, com o objectivo de se tornar a única compradora da Kipushi.

EUA aceleram acordos de mineração no Congo

A Glencore e o Consórcio de Minerais Críticos Orion (Orion CMC), apoiado pelos EUA, anunciaram um acordo semelhante para canalizar cobalto e cobre do Congo para a cadeia de suprimentos dos EUA sob o mesmo programa apoiado pelo governo — um sinal da crescente competição entre compradores ocidentais por minerais congoleses.

Kipushi, que contém zinco de altíssima qualidade, além de prata, cobre, germânio e gálio, é um dos maiores depósitos polimetálicos do Congo.

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