
Ruth Alfredo Tenente disse que o retorno é fruto de um programa de inclusão social concebido para preservar a identidade desta comunidade e oferecer melhores condições de vida aos seus membros, segundo avançou o JA Online.
A responsável esclareceu que, durante décadas, a proximidade geográfica e a promessa de melhores condições económicas levaram muitos Khoisan a cruzar a fronteira em direcção à Namíbia.
“Essa migração trouxe consigo o risco de enfraquecimento dos laços culturais e da ligação ao território de origem. Hoje, para reverter a situação, a Administração Municipal implementou um projecto que alia desenvolvimento comunitário à valorização das tradições”, informou.
A iniciativa, acrescentou, começou com um pólo agrícola na comunidade San, com o objectivo de proporcionar às famílias acesso à terra, sementes e acompanhamento técnico, incentivando a prática agrícola e a autossuficiência alimentar.
Paralelamente, continuou, foram desenvolvidas acções para integrar as crianças no sistema de ensino, retirando-as de áreas remotas e garantir a sua adaptação social. “Começámos com duas crianças, que hoje já frequentam a escola e convivem com outras sem dificuldades. Com o sucesso dessa primeira fase, ampliamos o programa e actualmente contamos com mais de 11 crianças Khoisan integradas na rede escolar e a participar activamente na comunidade”, destacou.
O objectivo da Administração, declarou, é formar futuros líderes dentro da própria etnia, capazes de representar e defender os interesses da comunidade em fóruns locais e nacionais, assegurando que a cultura e os direitos dos Khoisan sejam respeitados e transmitidos às novas gerações.
Relativamente ao difícil acesso, a administradora explicou que uma viagem do Dirico à capital provincial pode durar até 24 horas, devido ao mau estado das estradas. “Às vezes, por causa das altas temperaturas, é mais viável fazer a viagem no período nocturno”, disse.
A administradora sublinhou que a recente garantia, dada pelo Presidente da República, de requalificação das vias rodoviárias é vista como uma oportunidade de expansão das acções sociais e de integração, permitindo que mais famílias San regressem e encontrem condições dignas para reconstruir as suas vidas no território de origem.