
Martin Deffontaines, que prestou estas declarações em forma de balanço das acções da companhia francesa, no quadro das festividades alusivas aos 50 anos da Independência Nacional, frisou que Angola conta hoje com uma das mais dinâmicas indústrias petrolíferas à escala internacional, fruto da parceria entre as autoridades e os operadores, avançou o JA Online.
O gestor da empresa com a maior quota de produção do mercado começou por enaltecer a estratégia do Executivo em fazer novos investimentos para inverter a tendência de declínio de produção que o país vinha registando desde 2014, tendo realçado que a indústria está agora a tomar uma trajectória que permite perspectivar a estabilidade por um longo período.
De acordo com Martin Deffontaines, a TotalEnergies investe anualmente cerca de mil milhões de dólares no desenvolvimento de novas descobertas, além dos custos operacionais, porque sempre acreditou no potencial das reservas angolanas de hidrocarbonetos, razão pela qual foi possível celebrar a produção do primeiro óleo no projecto Begónia e o Clov fase 3, dois campos que contam com uma produção média de 60 mil barris de petróleo por dia.
O responsável destacou os avanços tecnológicos granjeados pela indústria petrolífera nacional, desde o alcance da Independência, um indicador que, no seu ponto de vista, confere ao país um destaque e transmite “feedback” positivo ao mercado, pois, segundo enfatizou, Angola deu passos firmes em termos de produção offshore, tendo iniciado a sua produção no Bloco 3 até chegar às águas marinhas ultra-profundas, ou seja, desde a fase convencional para o ultra-profundo.
Em termos tecnológicos, Martin Deffontaines apontou as técnicas de separação submarina, o uso de bombas submarinas de multifunções, modernas unidades flutuantes (FPSO) de autonomia eléctrica e toda uma gama de equipamento introduzida no mercado com influência da TotalEnergies, conjugada com a visão e “espírito pioneiro” das autoridades angolanas.
Martin Deffontaines disse ser importante aceitar os desafios e acreditar que se podem concretizar “as metas a que nos propusemos, pois não estamos sozinhos nesta empreitada. Gostaria de, mais uma vez, encorajar a todos os ‘players’ do sector e enaltecer o desempenho da Sonangol, que é nossa parceira fundamental e criamos um vínculo muito forte”.
“O Projecto Begónia é o primeiro que interliga dois blocos, ou seja, a produção de um é feita através de outro bloco. Trata-se de algo que é feito pela primeira vez no país e só foi materializado graças ao discernimento da ANPG, com ajuda da qual elaboramos um plano contratual que prevê juntar sinergias entre os dois blocos fronteiriços, ou seja, o Bloco 17 e 1706”, ressaltou.
Questionado sobre até que ponto a manutenção da produção acima de um milhão de barris por dia é exequível, o especialista garantiu que tudo se está a fazer para alcançar este objectivo, não obstante se tratar de uma tarefa difícil, tendo em conta que o declínio natural nos poços em campos de águas profundas tem uma média próxima de 10 por cento por ano.
“O importante é que hoje a Total é responsável pela produção de 500 mil barris por dia e todos os projectos que estamos a lançar, tais como o Kaminho, que está a avançar de forma célere, e a extensão do campo petrolífero Dália, nós seremos capazes de cumprir com estas metas”, disse a finalizar.
A história da indústria petrolífera angolana data de há mais de 100 anos, tendo o primeiro poço de pesquisa sido furado em 1915, a primeira descoberta comercial no onshore em 1955 na Bacia do Kwanza. Em 1966 aconteceu a primeira descoberta no offshore, no Bloco 0, que até hoje se encontra em produção.
ANPG prevê estabilidade até 2032

O presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), Paulino Jerónimo, disse, quinta-feira, em Luanda, que o início da exploração e produção em novos blocos representa a renovação das esperanças no sentido de manter uma média acima de um milhão de barris por dia nos próximos anos.
O responsável falava aos jornalistas à margem da cerimónia de anúncio da decisão final de investimento no Bloco 15 C, a ser operado pelo consórcio Esso, Azule Energy, Equinor e Sonangol Exploração & Produção, na perspectiva de estender a vida útil do campo Kizomba C.
“De princípio, como estava estabelecido até hoje, o campo Kizomba C estaria a terminar agora, ou seja, nos próximos dois ou três anos. Com esta extensão da vida útil, vamos até 2032, o que quer dizer que vamos ter mais reservas a recuperar e, naturalmente, fazer a melhoria das instalações petrolíferas”, revelou.
Paulino Jerónimo reforçou que “esta é a primeira fase do que discutimos hoje e assinamos, mas para o próximo ano ainda temos a assinatura de outras decisões finais de investimento, que são o Kizomba A e B, e é importante realçar que, no total, o investimento será acima de 3 mil milhões de dólares”.