Escritores defendem a valorização da literatura nacional

A promoção da leitura e da escrita entre os jovens foi o tema central das reflexões de escritores e promotores culturais da província do Cuanza-Sul, que defendem a criação de mais iniciativas voltadas para a literatura, com o objectivo de despertar o interesse da juventude por livros e discussão de temas da actualidade por meio da escrita.

A celebração do Dia Internacional da Criança, serviu de palco para que os entrevistados destacassem a importância de fortalecer a cultura de leitura e escrita no meio dos jovens. Segundo os especialistas, o hábito de ler e escrever contribui para a formação de cidadãos mais críticos, informados e participativos, e reforçaram a necessidade de envolvimento das famílias, escolas, instituições culturais e órgãos públicos na promoção permanente do livro e literatura, avançou o portal JA Online.

O delegado provincial da Brigada Jovem de Literatura no Cuanza-Sul e escritor, Zé Ricardo, afirmou que a literatura na província tem registado avanços significativos. Revelou que a organização actualmente mantém entre 140 e 160 escritores distribuídos pelos municípios do Sumbe, Porto-Amboim, Ebo, Seles, Conda e Gabela, localidades onde a Brigada Jovem de Literatura mantém representação activa.

Apesar do crescente interesse dos jovens pela actividade literária, Zé Ricardo destacou que persistem desafios, principalmente relacionados aos elevados custos de publicação de obras, o que limita a concretização de projectos literários e dificulta a entrada de novos autores no mercado.

O também escritor defendeu a criação de mecanismos institucionais para reduzir os custos de impressão e manifestou preocupação com a existência de apenas uma biblioteca pública na cidade do Sumbe, insuficiente para atender às necessidades dos estudantes e amantes da leitura.

Zé Ricardo anunciou ainda a realização do primeiro encontro provincial sobre o estado da literatura e a valorização das línguas nacionais na construção literária. O evento vai reunir vários escritores angolanos para debater os desafios do sector e discutir o papel da literatura na preservação da identidade cultural.

O escritor Cláudio Joaquim, autor da obra “Sonetos no Silêncio”, destacou que a literatura desempenha um papel fundamental na abordagem de problemas sociais, lamentando o reduzido interesse de muitos jovens pela leitura e escrita.

Já o escritor Kiteculo Kungo, autor de “Memórias do Amboim Gabela”, abordou a influência das novas tecnologias e das redes sociais na forma como a informação é consumida actualmente. O escritor afirmou que, embora a juventude enfrente desafios relacionados à concentração e ao interesse por obras extensas, a escrita continua a ser uma ferramenta indispensável para preservar a memória colectiva.

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