
A saída planeada dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da aliança mais ampla OPEP+ a partir de maio de 2026 deverá ter um impacto imediato limitado nos mercados de petróleo, mas poderá enfraquecer a disciplina de oferta e a capacidade de gestão de preços do grupo ao longo do tempo, afirmou o HSBC em uma nota de pesquisa divulgada, segundo avançou o portal zawya.
Os Emirados Árabes Unidos, um dos maiores produtores da OPEP, anunciaram que deixariam tanto a OPEP quanto a OPEP+, representando um duro golpe para o grupo de produtores, em um momento em que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã interrompe o fluxo de energia.
A curto prazo, o HSBC prevê poucas alterações no fornecimento global de petróleo, uma vez que as exportações de petróleo bruto do Golfo continuam limitadas pelas interrupções no Estreito de Ormuz, que está efetivamente fechado desde o final de fevereiro.
O banco afirmou que qualquer aumento na produção dos Emirados Árabes Unidos está limitado enquanto o acesso ao transporte marítimo permanecer restrito. Acrescentou que o Oleoduto de Petróleo Bruto de Abu Dhabi, que permite que as exportações contornem o Estreito de Ormuz transportando petróleo bruto até o porto de Fujairah, tem capacidade para até cerca de 1,8 milhão de barris por dia e provavelmente já está operando em sua capacidade máxima ou próximo dela.
Assim que o acesso pelo Estreito de Ormuz for restabelecido, os Emirados Árabes Unidos deixarão de estar sujeitos às quotas de produção da OPEP+ e poderão aumentar gradualmente a produção, afirmou o HSBC. O banco estima que a Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC) poderá elevar a produção para mais de 4,5 milhões de barris por dia, em comparação com a quota da OPEP+ de cerca de 3,4 milhões de barris por dia para o período até maio de 2026.
O HSBC afirmou que qualquer aumento na oferta deverá ser implementado gradualmente ao longo de 12 a 18 meses, em vez de ser entregue imediatamente, em linha com a intenção declarada da ADNOC de aumentar a produção gradualmente e de acordo com a demanda e as condições de mercado. Segundo o banco, barris adicionais dos Emirados Árabes Unidos ajudariam a recompor os estoques globais de petróleo, que foram reduzidos recentemente.
A longo prazo, o HSBC afirmou que a saída de um membro central do Golfo poderia prejudicar a coesão e a credibilidade da OPEP+, dificultando a gestão da oferta. A crescente capacidade produtiva dos Emirados Árabes Unidos e seus planos de investimento de longo prazo, incluindo um programa de US$ 150 mil milhões até 2030, sugerem uma intenção de monetizar as reservas com menos restrições à produção.
A perda da participação dos Emirados Árabes Unidos também pode aumentar o risco de descumprimento das cotas entre os membros restantes. Se a disciplina coletiva enfraquecer, a OPEP+ poderá ter dificuldades para controlar os preços durante períodos de demanda mais fraca ou aumento da oferta de países não pertencentes à OPEP, afirmou o HSBC.