
Neste período, a carteira de projectos aprovada está estimada em 6.514 e o valor financeiro a desembolsar é de 72,51 mil milhões de kwanzas, avançou o portal JA Online.
Na entrevista exclusiva concedida ao Jornal de Economia & Finanças, na edição de segunda-feira (9), a presidente do Conselho de Administração do FADA, Felisbela Francisco, detalha sobre o desempenho da instituição.
A gestora assume a existência de uma carteira activa em desenvolvimento, que, segundo cálculos do Jornal de Angola, se estimam em 1.422 projectos, equivalentes a 17,60 mil milhões de kwanzas.
Em relação à Linha de Apoio, Felisbela Francisco disse ter concentrado 3.469 projectos e um valor de 26,86 mil milhões de kwanzas. Destes, 19,90 mil milhões já foram desembolsados. Já a Linha de Apoio ao Investimento registou 1.505 projectos aprovados e que totalizam 28,89 mil milhões de kwanzas, dos quais 24,27 mil milhões já foram executados.
Os apoios incidem sobre a mecanização agrícola, aquisição de equipamentos e melhoria das infra-estruturas produtivas.
Em termos territoriais, os resultados acumulados confirmam, igualmente,um esforço sério de desconcentração e capilaridade institucional. As províncias do Huambo e da Huíla destacam-se com carteiras superiores a 9 mil milhões de kwanzas, seguidas pelo Bié, Luanda, Cuanza-Sul, Namibe, Icolo e Bengo e Malanje. Esta implantação geográfica demonstra que o financiamento agrícola não ficou circunscrito aos centros administrativos ou a zonas de maior formalização económica, antes procurando alcançar regiões com forte vocação agrícola e elevado potencial de resposta produtiva.
Essa dimensão territorial é decisiva. No financiamento agrário, a distância institucional é, muitas vezes, um factor de exclusão financeira. Quanto mais distante estiver a instituição financiadora do produtor, maiores são as assimetrias de informação, os custos de acompanhamento, os riscos operacionais e as dificuldades de monitorização. Foi precisamente para responder a esse desafio que o FADA definiu, como uma das prioridades do actual ciclo institucional, o reforço da sua presença territorial. Em Julho de 2025 foi criada a Agência Regional Centro, sediada na província do Huambo, região de elevada densidade agrícola e com forte presença de cooperativas e produtores familiares.
Mais recentemente, em 12 de Fevereiro de 2026, foi inaugurada a Agência Regional Norte, sediada em Malanje, com cobertura operacional sobre Malanje, Cuanza-Norte, Uíge e Zaire. Estas estruturas não representam apenas uma expansão física da instituição, mas representam, acima de tudo, um aperfeiçoamento do modelo de intervenção do Fundo, baseado em maior proximidade, melhor conhecimento das realidades locais e reforço da capacidade de acompanhamento técnico e financeiro. Com efeito, a proximidade territorial produz benefícios económicos e prudenciais muito concretos. Importa, porém, sublinhar que o mérito da intervenção do FADA não reside apenas no volume de crédito aprovado ou desembolsado.
“Uma das características mais relevantes da trajectória recente do Fundo é precisamente o facto de a sua acção não se limitar à dimensão financeira. O que se vem afirmando progressivamente é uma abordagem mais integrada, em que o crédito é articulado com organização produtiva, formalização jurídica, capacitação técnica e acompanhamento de proximidade”, afirmou.