Governador quer integração de projectos para melhorar a vida no Chipindo

Município de Chipindo, Huíla

O responsável falava no quadro de uma visita ao município para avaliar a gestão local e definir soluções conjuntas para os sectores de saúde, educação e infra-estruturas, com foco no diagnóstico de problemas sociais, avançou o portal Angola Press.

Como facto concreto, Nuno Mahapi afirmou que para esses três sectores coabitarem, é necessário olhar-se para as condições de acesso, antes de se construir escolas, por exemplo.

Acrescentou que se construir as escolas e fazer o acesso, sem serviços sanitários próximos para acudir os alunos, professores e famílias naquela área de jurisdição, também reduz a importância do investimento.

Ressaltou que tal integração vai permitir manter a formação técnica e a optimização de recursos humanos na pauta prioritária.

Nuno Mahapi reconheceu que existem obras antigas de escolas e que estão paralisadas, mas que já foram transferidas para gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) do governo provincial e estão em fase de concurso, cujas empreitadas de conclusão arrancam ainda este ano.

Ressaltou ainda o desafio da situação do edifício da administração municipal, em que as obras estão paralisada há seis anos, estando em curso um processo de reavaliação para a concluir.

Manifestou preocupação com o crescimento excessivo do garimpo de ouro no município, com desafios para as comunidades, razão pela qual é importante ter noção que os recursos naturais devem ser explorados com disciplina, regras e com autorizações, e a responsabilidade de os preservar é de todos.

Frisou que o distanciamento de 456 quilómetros da cidade capital, Lubango ao Chipindo faz com que a saída de professores e outros profissionais ainda seja um constrangimento, porque os quadros não são devidamente aproveitados, razão pela qual apostar na formação de professores residentes ajudaria a colmatar tal desafio.  

A visita do governador ao município do Chipindo inclui constatação ao hospital municipal e diversos encontros, com os membros da administração municipal, da Comissão de Auscultação das Comunidades, bem como audiências aos líderes religiosos, autoridades tradicionais e conselho da juventude local.

Para além do Chipindo, Nuno Mahapi visita igualmente os municípios do Cuvango e da Jamba Mineira.

O município do Chipindo, do tipo D, dista 456 quilómetros da cidade do Lubango e foi criado em Julho de 1970. Delimita-se a Norte com a província do Huambo, pelos municípios do Cuima e Chicala Choloango, a Sul com o Dongo, a Leste com Galangue e a Oeste com Caconda e Chicomba.

Possui uma superfície de três mil 898,50 quilómetros quadrados e tem uma população estimada em 103 mil 482 habitantes, distribuídas por 16 regedorias, que perfazem 192 aldeias e bairros, geridos por uma administração com 126 funcionários.

A economia do município assenta principalmente na agricultura familiar, pecuária, comércio rural e pequenas actividades industriais.

Persistem desafios da degradação das vias de acesso, na requalificação de vias, expansão de serviços de água/energia, da rede sanitária, insuficiência de professores, necessidade de mecanização agrícola, combate à exploração ilegal de minerais, sobretudo o de ouro.

A rede de educação é composta por 35 escolas do ensino primário, três complexos escolares, dois colégios, um liceu e uma escola técnica do ensino de base que atendem  33 mil 912 alunos no presente ano lectivo. 

Possui  644 professores e enfrenta uma carência de mais de 300, bem como de infra-estruturas, tendo nove mil crianças fora do sistema.

No sector da saúde conta com um hospital municipal, sete centros e dois postos de saúde, deparando-se com desafios na cobertura de áreas remotas e escassez de médicos, apesar da recente melhoria em equipamentos de diagnóstico. Dispõe de 14 médicos, dos quais apenas quatro estão a trabalhar, de momento, no município.  

Quanto a energia, dispõe de um gerador com serviço limitado, em função do crescimento populacional que gerou uma procura maior a capacidade actual do equipamento, associado a redução de fornecimento de combustível a 50 por cento/mês, o que forçou a redução do horário de distribuição de energia, de nove para cinco horas.

A rede de abastecimento de água é feita só no casco urbano e é desligada por períodos de dois a três dias para acumular água no tanque central.

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