
Ao intervir no painel “Energias Renováveis e Electrificação Rural”, no âmbito da 2.ª Conferência Internacional sobre Energia e Águas e Exposição, o responsável sublinhou que os pedidos de fornecimento por parte de clientes industriais continuam a aumentar no país, segundo avançou o portal Angola Press.
Segundo o também engenheiro, apesar da elevada capacidade instalada e do potencial energético do país, persistem desafios no acesso e na distribuição de energia, sobretudo em zonas ainda não electrificadas, o que exige o reforço dos investimentos em infra-estruturas e redes de transporte.
Durante a sua apresentação sobre projectos de energias renováveis na electrificação rural, fez saber que o acesso à energia constitui uma prioridade de equidade e justiça social.
Elencou que ainda existem comunidades sem cobertura eléctrica.
José Cristiano Sales referiu que Angola registou uma mudança gradual na sua matriz energética ao longo da última década, passando de uma predominância térmica em 2015, com 61%, para uma base maioritariamente hídrica em 2025, também com 61%, além da introdução de cerca de 5% de energia solar.
Acrescentou que o objectivo é elevar a contribuição da energia solar para 15% até 2027 e atingir uma matriz com cerca de 77% de fontes renováveis, com vista a impulsionar a capacidade de resposta à procura crescente, numa altura em que o país projecta afirmar-se como potencial exportador de energia na região.
Actualmente, o país conta com 11 centrais hídricas, com uma capacidade instalada de aproximadamente 3.793 megawatts, responsáveis por cerca de 60% da produção energética, com ênfase para Capanda, Lauca e Cambambe, além do projecto Caculo-Cabaça, que deverá acrescer mais de 2.000 megawatts ao sistema.
Apesar dos avanços, o responsável salientou que o país explora apenas uma pequena parte do seu potencial hídrico estimado em 18 mil megawatts.
No domínio da energia solar, o país dispõe de nove centrais em operação, que contribuem com cerca de 405 megawatts, no âmbito de projectos como o Solar 1, que abrange infra-estruturas na Baía Farta, Biopio, Luena, Saurimo e Lucapa, entre outras localidades.
Está igualmente em curso um programa de electrificação rural que prevê levar energia a 60 localidades em seis províncias, beneficiando cerca de 936 mil habitantes e mais de 176 mil residências. O projecto, iniciado em 2023, apresenta uma execução física superior a 63% e deverá ser concluído em 2027.
Entre os próximos investimentos, destacam-se novas centrais solares, incluindo Tatete (104 MW), Lauca (400 MW) e Cabinda (90 MW com armazenamento), cujas obras foram iniciadas em 2026.
José Cristiano Sales considerou que estes projectos são fundamentais para expandir o acesso à energia, reduzir desigualdades e sustentar o crescimento económico do país.
Angola apresenta actualmente uma taxa de electrificação de cerca de 46%, o que representa a volta dos 20 milhões de pessoas que não têm acesso a electrificação.